Eu sempre fui gordinha. Sempre.
Nasci e continuo gordinha até hoje, com meus 25 anos. Minha irmã, mais velha que eu, é magrinha. Sempre comemos a mesma comida da mãe. Raramente tinha bolacha recheada em casa e quando tinha, eu não comia um pacote todo sozinha, afinal, eu tenho outros dois irmãos pra dividir além da magricelinha.
Eu não comia em excesso, comia o NORMAL. Fazia atividade física na escola. Era moderado por causa da asma, então não podia me esforçar tanto. Apesar de ter que viver na marcha-lenta por conta disso, eu era uma criança hiperativa, brincava no prédio com os amigos de ameba, pega-pega, esconde-esconde, gato mia e de tudo que gastasse energia. Porém... eu era gordinha.
Não comia tanto assim, não era sedentária, mas era gorda. Não chegava a ser obesa, mas estava bem acima do meu peso. E isso, desde sempre.
Como de costume, era alvo de piadinhas, o tempo todo, de pessoas próximas e de pessoas nem tão próximas assim.
Durante toda a minha infância tive apelidos péssimos. Fui (e ainda sou) chamada de “gorda” por várias pessoas, incluindo parentes, que acham isso super carinhoso. Não têm limites! Se for parar pra usar o cérebro mesmo, chamar uma tia de “velha” de forma carinhosa e, por mais verdade que isso seja, eu estaria sendo legal? Certeza que não! 👎
Bom... Pra piorar esse trauma, na adolescência meu peso aumentou. Com a puberdade, meus hormônios ficaram loucos. A tiróide se descompensou e eu engordei mais. Uns anos depois, aos 19, eu entrei em depressão, e passei a não sair de casa, mesmo que fosse muito necessário. Não fazia mais atividade física (limpava a casa e olhe lá), não conseguia nem descontar minhas frustrações em alguma coisa. Eu só queria dormir e acordar diferente, com a vida mudada, sabe. E quando abria os olhos e percebia que tudo estava exatamente do mesmo jeito, o humor se agravava e como consequência, eu engordava mais.
Já tive época de não sair de casa por vergonha, nem pra comprar roupa. Quando minha mãe resolvia me levar, ao contrário da maioria das meninas, eu odiava, porque sabia que as roupas que eu gostava eram super caras, além de que ficariam ridículas em mim. Isso se servissem.
Segundo boa parte das pessoas que conheço, eu não podia usar roupa larga, pois eu pareceria “maior”. E nem roupa justa porque sou gorda e marcaria meu buchinho.
Eu sentia vergonha de comer na frente das pessoas porque era nítido o olhar de julgamento.
"Só pensa em comer, hein!". 😒
Nossa.. não podia por um pedaço de bolo na boca nas festinhas que já ouvia: “você não pode ficar comendo essas coisas. Olha seu tamanho! Não tem medo de morrer?” E isso não vinha só das pessoas de fora, vinha de familiares e amigos também, que se achavam no direito de me “ajudar” de alguma forma.
Enfim... O que me levou a escrever esse texto? Simples... Raiva.
Desencadeei um sentimento tão medonho ao ponto de treinar algumas respostas automáticas pra quando surgir esses comentários novamente. Saber exatamente o que dizer pra não "ficar por baixo" sabe. Pois é, foi necessário. O pessoal fala demais!
Hoje eu aprendi a me impor diante dessas situações. Entendi que não posso deixar que as pessoas me diminuam só por serem diferentes de mim. Tenho que falar. Independente de quem sejam.
Sou e serei sempre grata por tentarem me ajudar, mas se eu não pedi sua opinião pra isso, porque insistir? Cara, não seja chat@!
Dói cada vez que uma pessoa "magra" chega querendo oferecer métodos pra emagrecer. Aulas de zumba. Sucos detox. Guia de receitas veganas. Aff mano, isso irrita!
Acho que você só pode ter esse tipo de liberdade com quem te dá. Minha vida é muito particular pra eu aceitar ajuda de qualquer pessoa.
Existem momentos adequados e pessoas ideais com quem você se sente confortável em falar sobre isso, porque você sabe que não existe julgamento ali.
Não deixe que decidam por você a hora de emagrecer. Não se sinta mal por causa de pessoas sem noção que se acham no direito de palpitar sobre seu peso.
Amig@, você pode se impor! Rebater um comentário não significa que seja sem educação. Você só vai mostrar que entende do assunto melhor do que ninguém e que sabe como, quando e pra quem pedir ajuda! Se você já fez isso ou não, é problema SEU. Não cabe ao resto da humanidade julgar.
VOCÊ NÃO É UM ERRO. NÃO É UMA ABERRAÇÃO. VOCÊ É INCRÍVEL. NÃO... + QUE INCRÍVEL. VOCÊ É FANTÁSTICO (A)! Sua aparência não é e nunca será um problema. Ou você se aceita como é, ou se não tá feliz, busque ajuda e mude! Mas não deixa que decidam isso por você.
As conclusões que fazem sobre sua personalidade, sua aparência, seu cabelo, sua pele, seu peso... É super errado. Não fique no "deixe que digam, que pensem, que falem..." SE IMPONHA. Não deixe que usem seu corpo pra "exemplos ruins". Não seja refém de comentários maldosos. REBATA. RETRUQUE. FALE!
E você, que insiste em ser a pessoa "conselheira de gordos", por favor... PARE.
Quer tirar conclusões precipitadas sobre nosso peso? Julgar? Desdenhar nosso corpo? Fique à vontade. Seja CRUEL por conta própria. Mas não vem dar dicas. Sério, não faz isso. É humilhante ter que ouvir. E o gordinho que tiver saturado com tudo isso, pode não ser tão educado na resposta. E ele não estará sendo cruel, apenas não deixando que o usem como CAPACHO.
Então, repito: não passa conselhozinho. Não vem querer contar sua experiênciazinha. Se a gente precisar de ajuda, a gente vai pedir, não tenha dúvidas.
Mas deixa o gordinho se resolver sozinho! ✌

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