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Alguém nesse mundo sabe disso?
Da dificuldade que essas pessoas tem com catracas e do conflito que é gerado TODA VEZ? Elas tentam disfarçar essa situação pra não passar humilhação na frente dos passageiros, mas tem motorista que faz questão de expô-las ainda mais ao ridículo. É lamentável!
As pessoas não sabem que ter EMPATIA é fundamental e que não ter, é completamente desumano. Não se colocar no lugar do outro e sair julgando por qualquer coisa, pode afetar o emocional delas, que já têm uma tendência a ter depressão por causa da gordurinha a mais que muitos não aceitam. Em alguns casos, são expostas a situações humilhantes que trazem tanta dor na alma, e pra não ter que sentir mais essa dor, se suicidam.
Eu mesma já fiquei presa em uma catraca. Eu sou gordinha e baixinha. O que me prendeu ali não foi nem a barriga em si, e sim meu quadril. Todos os dias eu chegava em casa com algum roxo no quadril porque pra passar no aperto da catraca, eu tinha que forçar, senão não ia, ou eu me entalava e morria de vergonha de pensar nisso. Então eu pensava: "ou eu passo, ou eu passo. Não admito ficar presa aqui."
Nesse fatídico dia em que ME ENTALEI nesta *****, me desesperei. Quase comecei a chorar mas tentei me controlar. A catraca não rodava, então pedi ao motorista pra descer pela porta dianteira, e ainda tive que vê-lo medindo meu "quadril" e dizendo: "Mas não pode. Será que você não passa mesmo? Tenta de novo, DEIXA EU VER!". Tentei. E me entalei gostoso. Ele teve que ir me ajudar depois. Aff! 👌
Além dessa dificuldade, sei também como é difícil sair com "amigos magros" e não poder acompanhá-los em tantas coisas que estão acostumados a fazer, simplesmente porque não aguentamos. Mesmo que seja só caminhar. Tem gente que fala pra mim: "Nossa mas quinze quadras é pertinho. Faço em 10 minutos." Mano, você faz. Eu não! Se existe magro que já põe os bofe pra fora só porque andou dois metros, imagina um gordo!
São tantas situações que passamos... Como quando entramos no ônibus, a gente já chega avaliando o espaço do banco porque sabemos que só cabe nosso bumbum. Se chegar outra pessoa, já não dá. E é assim também no elevador, que suporta 6 pessoas, mas se estamos juntos ali, o número cai pra uns 4 ou 3.
Ah, e as cadeiras... Nossa, são as piores inimigas do gordo! Dá um medo sentar e as perninhas da coitadinha abrir com tudo. A gente sabe que não suportam muito peso. Então a gente meio que senta e meio que não senta, sabe. Senta de ladinho, senta na beradinha, pra não espatifar com tudo no chão.
Gordinho tem problema com o padrão de roupas também, como eu já disse antes. Porque não são todos os lugares que vendem o "XXL". E se vende, é um absurdo de caro. Isso, quando esse tamanho ainda não é o suficiente. Tipo, tamanho infantil. Cabe numa criança gordinha. Mas no adulto, nem forçando.
Os gordinhos também têm problemas com o namoro. Difícil encontrar alguém que goste de "bastante carne". A pessoa te vê com roupa e te acha lind@. Mas na intimidade... será que o conceito continuaria o mesmo?
Enfrentamos o problema da carona também que, MEU PAI AMADO DO CÉU, é um sufoco! Tem quem ceda a carona, mas se arrepende quando passa num quebra-molas. Quando ouve o chassi do grilo raspar no chão, já pensa "putz, nunca mais!" Mas também já vi gente negar o pedido porque já sabe que o peso em excesso vai danificar qualquer coisa do carro. Então a gente já meio que se prepara pro NÃO.
Ah gente, é um perrengue!
Um lugar que foi feito pra QUALQUER UM sentar, QUALQUER UM entrar, QUALQUER UM comprar, andar, comer e tudo mais, não se adequam pra gordinhos. Não suporta. Não cabe.
Sinceramente, não sei como reagir a tudo disso. Querendo ou não, eu tô aqui. Continuo viva, precisando de várias coisas e não podendo ter por conta das limitações.
Meu cérebro já vive em função automática de tudo. Se me cabe, se me serve, se não vou quebrar, se vou pagar mico, se alguém vai me notar...
Percebo que a cada dia que passa, o mundo não é pra todos. É pra alguns. É "pra quem cabe". "Pra quem pode pagar". "Pra quem serve".
É triste ver que somos a maioria da população, porém, não temos voz.
E que não temos força pra mudar uma realidade tão grotesca e preconceituosa como essa que vivemos...
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sexta-feira, 19 de abril de 2019
SÉRIE - GORDINHA 2
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